Cada treinador, um líder...

Ao observarmos o estilo de liderança de cada treinador, estamos sistematicamente a aprender e a perceber que não existe um estilo prático predefinido. Cada vez mais os líderes adaptam o seu estilo de liderança às características intrínsecas das suas equipas e à variação permanente dos factores extrínsecos e ambientais. Neste campeonato da Europa temos o exemplo que cada treinador é um líder distinto, com a suas convicções próprias e com a sua forma de dirigir, orientar e servir a sua equipa. Os líderes solitários estão condenados ao fracasso, o líder deve ser um gestor de oportunidades e expectativas, sendo capaz de escolher os momentos certos para desafiar as pessoas que consigo trabalham. A credibilidade, segurança e respeito gerados pelo líder são alguns factores importantes na determinação do grau de satisfação dos jogadores. No desporto as equipas vencedoras são aquelas que conseguem derrubar os limites, superando-se. No desporto um bom planeamento é o primeiro passo para o êxito. O líder acredita e faz acreditar. Um bom líder quando toca nos seus jogadores deixa-os eléctricos, começam a transpirar ideias positivas e ganham vontade de fazer mais e melhor.

O “comandante” que se põe em bicos de pés projecta uma enorme sombra sobre o grupo, facilmente cria uma distância que afectará todas as relações interpessoais da equipa. Deve manter-se longe das opiniões e influências externas mas perto dos jogadores e das decisões importantes que envolvem o grupo. O líder deve sentir que a sua principal função é servir o grupo, conduzindo-o para o destino pretendido, jamais poderá deixar de ser uma pessoa simples porque a sua função é extremamente complexa. Acima de tudo o líder como gestor de conhecimentos tem que se preocupar em primeiro lugar com as pessoas, deve evidenciar todo o seu espírito de missão, criando carisma dentro da equipa e naqueles que estão à sua volta.

Revelando comportamentos próprios de quem permanentemente está disposto a surpreender e a criar curiosidade naqueles que lidera. No seu perfil aparece o exemplo prático de uma forma natural, pedir e exigir sacrifícios é inerente à posição de liderança. Muitas vezes esquecemo-nos que os sacrifícios começam no exemplo prático do líder. Mais do que um bom comunicador, ouvinte ou motivador o treinador é aquele que nunca deixa de ser um modelo que transmite valores e princípios que devem ser espelhados no seu comportamento. Defendo que um treinador necessita de estar sempre a pensar na sua equipa, é uma função que ocupa 24 horas do dia. Mesmo mantendo a sua naturalidade, tem que ter a consciência que está a ser observado e a observar permanentemente.

Cada vez que olho para a Selecção Nacional de futebol e analiso tudo o que conseguiu até hoje, pela sua história e contra tantas adversidades, reforço as minhas certezas: Portugal pode vencer, basta querermos... todos!

Data: 09.06.08
Fonte: O Jogo
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