Os ¼ de final deste campeonato da Europa ficaram marcados por jogos extremamente competitivos, em que a equipa favorita não venceu em nenhum deles. As selecções que se mantiveram realmente activas e concentradas nos seus objectivos até ao último jogo da fase grupos, revelaram maior qualidade e intensidade nas suas acções colectivas.
O que nos deixa a dúvida se a melhor opção técnica é fazer descansar jogadores e quebrar rotinas competitivas ou mantê-los focados com as dinâmicas de vitoria.
Geralmente nestas grandes competições demasiado esgotantes e curtas no tempo, quem joga e ganha, quer jogar e ganhar ainda mais...
A atitude competitiva e descomplexada de equipas como a Turquia e a Rússia marcaram-nos e reforçaram os valores comportamentais necessários para se atingirem objectivos de excelência. A Turquia entrou na competição de uma forma pálida e sem argumentos para convencer quem quer que fosse, mostrou-nos que a atitude positiva ainda é o coração das grandes equipas. Esta atitude começa nos maus momentos, geralmente quando perdemos ou estamos menos bem, mas continuamos a revelar um conjunto de atitudes e princípios que tornam natural o nosso compromisso para com a equipa. Durante o jogo com a Croácia a Turquia foi isso mesmo – uma equipa. Revelando – se pela força da sua estrutura e não pelo talento dos seus valores individuais. Acreditou sempre (desde o início do campeonato ganhou 2 jogos nos últimos segundos), foi persistente, humilde e teve espírito de missão. Correndo, lutando e jogando de uma forma alegre empatou o jogo quando nenhuma alma, em qualquer canto do mundo, já acreditava... acabando por fazer história! Mais do que isso levou a equipa Croata ao desespero evidente, o maior exemplo foi o seu treinador que, após o golo, não conseguiu controlar as emoções e passou à própria equipa um estado emocional de quem está sobre a maior das pressões e pensa “Como isto é possível?”. Por outro lado os Turcos marcaram os penalties como se da coisa mais fácil do mundo se tratasse. Além disso o seu treinador foi um verdadeiro exemplo de alma, coração e inteligência – que grande líder! Muito concentrada e focada no seu objectivo, a Rússia não surpreendeu mas convenceu-nos com a sua garra atacante, não parando 1 só segundo dos 120 minutos que teve para jogar. Evidenciou-se por uma enorme sintonia colectiva baseada em jogadores que actuam, no menos mediático, campeonato Russo. Souberam aproveitar um verdadeiro talento à solta, simplesmente imparável o Arshavin. Deixa-nos uma lição de que o facto de montarmos equipas baseadas nos nossos campeonatos internos não é um problema mas pode ser uma boa solução, torna-se mais fácil introduzir e sistematizar a estratégia colectiva. A comunicação e a relação entre todos os elementos torna-se mais fácil e acessível, fundamental para se conseguir criar um só espírito de equipa, que é a grande base das equipas de sucesso. Incrível é o facto do seu “mestre” Guus Hiddink continuar a deixar a sua marca nas equipa por onde passa: Disciplina, rigor e capacidade colectiva baseada numa “enorme” organização táctica, realmente quem sabe, conquista!
No Itália /Espanha ficou patente um tremendo respeito mútuo, tornando o jogo incaracterístico, ambas as equipas sem arriscar e com medo de perder, conseguiram o seu objectivo arrastar o jogo para os penalties. Fica para a história o facto de Espanha ter vencido a Itália apôs um jejum de muitos anos...mas percebeu que vai ter que jogar muito mais, para vencer a Rússia, que demonstrou que não gosta de resolver o jogo a penalties.
Percebemos assim, neste campeonato da Europa, que não é oportuno definir nem escolher favoritos!
Fonte: O Jogo
